domingo, 28 de dezembro de 2014

Holocausto Brasileiro - Daniela Arbex


"Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.
Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças."
* Descrição do site: "http://www.saraiva.com.br/holocausto-brasileiro-vida-genocidio-e-60-mil-mortes-no-maior-hospicio-do-brasil-4896352.html"


Este foi um dos livros mais tristes e revoltantes que já li. Abordando sobre um fato horrível da história brasileira, a jornalista Daniela Arbex nos mostra relatos surpreendentes sobre o que ocorria dentro dos portões do Hospital Psiquiátrico de Barbacena - Minas Gerais, conhecido como Colônia. Foi angustiante conhecer o sofrimento que tantas pessoas, muitas que nem doentes mentais eram, passaram nesse lugar que parecia mais com um campo de concentração nazista. 
Tratamento com choques, frio, vergonha, fome e o esquecimento por parte da sociedade fez eu perceber que a frase do famoso filósofo francês Jean Paul Sartre, "O inferno são os outros", toma proporções imensas ao se castigar pessoas que não entravam nos padrões da sociedade e, destarte deveriam ser segregadas do convívio das pessoas tidas como "normais", pois deveria se primar pela manutenção dos velhos e bons costumes, o que não seguisse tal premissa não deveria existir, ou seja, deveria ser um problema levado para debaixo dos tapetes.
Um documentário que mostra bem qual era a real situação das pessoas encarceradas nesse inferno foi o "Em nome da razão". Vale a pena ler esse livro.


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