Quando o mundo gira e permaneço inerte
Quando a mudança passa e permaneço a mesma
Quando teu sorriso corroí minha íris
Quando um adeus se torna um bálsamo inexistente
Quando me sinto um Pigmalião sem Galateia
Quando me sinto pobre e um reflexo insiste em mostrar Midas
Quando a pena de Morfeu não me leva a um derradeiro sonho
Quando a esfinge me dirige um sorriso
Quando minh'alma álgida aquece
Quando por caminhos infames me encontro
Quando a necrose da carne ressoa vida...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O Hóspede - Castro Alves
O Hóspede
Choro por ver que os dias passam breves
E te esqueces de mim quando tu fores
Como as brisas que passam doudas, leves,
E não tornam atrás a ver as flores.
TEÓFILO BRAGA
E te esqueces de mim quando tu fores
Como as brisas que passam doudas, leves,
E não tornam atrás a ver as flores.
TEÓFILO BRAGA
Onde vais estrangeiro! Por que deixas
O solitário albergue do deserto?
O que buscas além dos horizontes?
Por que transpor o píncaro dos montes,
Quando podes achar o amor tão perto?...
'Pálido moço! Um dia tu chegaste
De outros climas, de terras bem distantes...
Era noite!... A tormenta além rugia...
Nos abetos da serra a ventania
Tinha gemidos longos, delirantes.
'Uma buzina restrugiu no vale
Junto aos barrancos onde geme o rio...
De teu cavalo o galopar soava,
E teu cão ululando replicava
Aos surdos roncos do trovão bravio.
'Entraste! A loura chama do brasido
Lambia um velho cedro crepitante,
Eras tão triste ao lume da fogueira...
Que eu derramei a lágrima primeira
Quando enxuguei teu manto gotejante!
'Onde vais, estrangeiro? Por que deixas
Esta infeliz, misérrima cabana?
Inda as aves te afagam do arvoredo...
Se quiseres... as flores do silvedo
Verás inda nas tranças da serrana.
'Queres voltar a este país maldito
Onde a alegria e o riso te deixaram?
Eu não sei tua história... mas que importa?...
... Bóia em teus olhos a esperança morta
Que as mulheres de lá te apunhalaram.
'Não partas, não! Aqui todos te querem!
Minhas aves amigas te conhecem.
Quando à tardinha volves da colina
Sem receio da longa carabina
De lajedo em lajedo as corças descem!
'Teu cavalo nitrindo na savana
Lambe as úmidas gramas em meus dedos,
Quando a fanfarra tocas na montanha,
A matilha dos ecos te acompanha
Ladrando pela ponta dos penedos.
'Onde vais, belo moço? Se partires
Quem será teu amigo, irmão e pajem?
E quando a negra insônia te devora,
Quem, na guitarra que suspira e chora,
Há de cantar-te seu amor selvagem?
'A choça do desterro é nua e frial
O caminho do exílio é só de abrolhosl
Que família melhor que meus desvelos?...
Que tenda mais sutil que meus cabelos
Estrelados no pranto de teus olhos?...
'Estranho moço! Eu vejo em tua fronte
Esta amargura atroz que não tem cura.
Acaso fulge ao sol de outros países,
Por entre as balças de cheirosos lises,
A esposa que tua alma assim procura?
'Talvez tenhas além servos e amantes,
Um palácio em lugar de uma choupana,
E aqui só tens uma guitarra e um beija,
E o fogo ardente de ideal desejo
Nos seios virgens da infeliz serrana!...'
No entanto Ele partiu!... Seu volto ao longe
Escondeu-se onde a vista não alcança...
... Mas não penseis que o triste forasteiro
Foi procurar nos lares do estrangeiro
O fantasma sequer de uma esperança!...
Nana - Kuroi Namida
Lágrima Negra
Não consigo mais contar as noites que desejei que o amanhã não chegasse
Perdi meus sonhos e meu amor, molhados pela chuva
Estou chorando, chorando, chorando, chorando
Para ser capaz de viver como eu sou, sem fingir
Do que eu preciso?
Sem poder acreditar em mim mesma, em que devo acreditar?
A resposta está tão perto que não enxergo
Derramo lágrimas negras
Eu não tenho nada, é triste demais
Não consigo colocar em palavras
Meu corpo todo começa a doer
Não consigo suportar ficar sozinha
O rosto que desenhei de madrugada, cansada de chorar, é um rosto meu que não é meu
Esconder minha fraqueza e e fingir um sorriso,
Preciso parar, parar, parar, parar
Seria a coisa mais difícil do mundo
Viver sem fingir?
Se for para ter algo de você, prefiro algo intangível
Não quero mais nada que se quebre
Mesmo que eu grite e chore lágrimas negras
Por favor que venha um amanhã despreocupado
Se for pra continuar nesses dias
Batendo na mesma dor
Quero sumir
Mesmo sabendo que isso é egoísta
Derramo lágrimas negras
Eu não tenho nada, é triste demais
Não consigo nem dizer em palavras
Meu corpo todo começa a doer
Por mais que eu grite e chore lágrimas negras
Por favor que venha um amanhã despreocupado
Se for pra continuar nesses dias
Batendo na mesma dor
Quero sumir
Mesmo sabendo que isso é egoísta*
Perdi meus sonhos e meu amor, molhados pela chuva
Estou chorando, chorando, chorando, chorando
Para ser capaz de viver como eu sou, sem fingir
Do que eu preciso?
Sem poder acreditar em mim mesma, em que devo acreditar?
A resposta está tão perto que não enxergo
Derramo lágrimas negras
Eu não tenho nada, é triste demais
Não consigo colocar em palavras
Meu corpo todo começa a doer
Não consigo suportar ficar sozinha
O rosto que desenhei de madrugada, cansada de chorar, é um rosto meu que não é meu
Esconder minha fraqueza e e fingir um sorriso,
Preciso parar, parar, parar, parar
Seria a coisa mais difícil do mundo
Viver sem fingir?
Se for para ter algo de você, prefiro algo intangível
Não quero mais nada que se quebre
Mesmo que eu grite e chore lágrimas negras
Por favor que venha um amanhã despreocupado
Se for pra continuar nesses dias
Batendo na mesma dor
Quero sumir
Mesmo sabendo que isso é egoísta
Derramo lágrimas negras
Eu não tenho nada, é triste demais
Não consigo nem dizer em palavras
Meu corpo todo começa a doer
Por mais que eu grite e chore lágrimas negras
Por favor que venha um amanhã despreocupado
Se for pra continuar nesses dias
Batendo na mesma dor
Quero sumir
Mesmo sabendo que isso é egoísta*
*http://letras.mus.br/nana/1060075/traducao.html
domingo, 25 de janeiro de 2015
A onde vai a Lágrima - Auta de Souza
A onde vai a Lágrima
Na terra se chora tanto
Que, se Deus guardasse o pranto
Que o mundo inteiro derrama.
Dos astros lá do infinito
O choro do pobre aflito
Podia apagar a chama.
Mas todo o pranto que desce
Por nossa face, parece
Que Deus o transforma em prece ...
E a prece, cheiroso incenso,
Nas asas do vento imenso,
Se perde no azul dos céus
Buscando o seio de Deus.
Inverno - Adriana Calcanhoto
No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
no deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
no deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
No dia em que fui mais feliz...
Link: http://www.vagalume.com.br/adriana-calcanhoto/inverno.html#ixzz3PeUWi73x
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
no deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
no deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
reuniu-se à terra um instante por nós dois
pouco antes do ocidente se assombrar.
No dia em que fui mais feliz...
Link: http://www.vagalume.com.br/adriana-calcanhoto/inverno.html#ixzz3PeUWi73x
Gomorra - Roberto Saviano
"Não permitamos, homens, que nossas terras se tornem lugares da Camorra, que se tornem uma única grande Gomorra a destruir! Não permitamos que homens da Camorra - não animais e homens como todos - encontrem aqui uma energia ilícita para aquilo que alhures é lícito, não permitamos que o que lá se constrói aqui seja destruído. Criai o deserto entorno de vossas casas, não coloqueis entre o que sois e o que quereis somente a vossa vontade absoluta. Lembrai-vos. Então o SENHOR fez chover enxofre e fogo do céu sobre Sodoma e Gomorra. Ele destruiu aquela cidades, toda a planície, todos os habitantes das cidades e tudo quanto crescia naquele solo. Mas a mulher de Lot virou-se para olhar e tornou-se uma estátua de sal (Gênesis, 19,12 - 29). Devemos arriscar a tornar-nos sal, devemos nos virar e olhar o que está acontecendo, o que se abate sobre Gomorra, a destruição total onde a vida é adicionada ou subtraída das vossas operações econômicas. Não vedes que esta terra é Gomorra, não vedes? (...) Morre-se por um sim e por um não, entrega-se a vida por uma ordem e uma escolha de um qualquer, cumpris penas de dezenas de anos para alcançar um poder sobre a vida e a morte, ganhais montanhas de dinheiro que investireis em casas que não habitareis, em bancos que nunca entrareis, em restaurantes que não serão vossos, em empresas que não dirigireis, comandais um poder sobre a vida e a morte procurando um domínio que consumireis escondidos debaixo da terra, com guarda-costas por todos os lados "*
*Trecho do livro Gomorra.
Assinar:
Comentários (Atom)