quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

À canseira da vida humana - Gregório de Matos

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.


O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.


Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.


O prudente Varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo em mar de enganos
Ser louco c’os demais, que só, sisudo.

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